domingo, 2 de maio de 2010

Dragon Age: Origins



Dragon Age: Origins poderia muito bem ser o nome de um filme com Mel Gibson, ou o título do primeiro livro de uma qualquer trilogia de fantasia épica. Não é, mas não fica muito longe da junção dos dois. Dragon Age: Origins é o novo role-playing game (RPG) da BioWare, que afirmou que o jogo seria uma espécie de "sucessor espiritual" de Baldur's Gate. O que a BioWare se esqueceu de dizer é que Dragon Age: Origins viria a ser um dos grandes títulos dos últimos tempos.






A cada várias centenas de anos, os Darkspawn invadem o mundo de Ferelden, trazendo caos e destruição à vida dos seus habitantes. Este acontecimento ficou conhecido por Blight e é, geralmente, liderado por um demónio gigantesco de um poder imenso. Tudo estaria perdido se não fosse pelos Grey Wardens, uma ordem militar que tem como única missão combater os Darkspawn.



É precisamente durante um Blight que Dragon Age: Origins tem lugar. Assim, caber-nos-á a nós, jogadores, liderar os últimos dos Grey Wardens em mais uma contra-ofensiva, de forma a salvar tudo aquilo que nos é importante.

Dragon Age: Origins é um RPG com alguns traços de MMO. O que não tem de multiplayer online, compensa em massive. O jogo é extenso e complexo, conseguindo proporcionar-nos uma experiência entre 60 a 80 horas, dependendo se gostamos de explorar todos os cantos do mapa, falar com todos os NPC's e fazer todas as quests.




No entanto, antes de começar a jogar, há que passar pelo típico ecrã de selecção e personalização do nosso "eu" virtual, que irá ser a personagem central durante todas essas horas. Podemos escolher entre três raças (Humans, Elves ou Dwarves), três classes (Warrior, Rogue ou Mage) e seis origens ou passados (o background da personagem). São, precisamente, estas origens que irão determinar o comportamento das outras personagens para connosco. Assim, divididas entre estas três raças estão os Nobles, os Magi, os City Elves, entre outros.

Se jogam ou conhecem World of Warcraft, saberão que cada raça tem uma história e uma zona inicial própria. Em Dragon Age: Origins passa-se mais ou menos o mesmo. Dependendo da origem que se escolhe, o jogo terá um começo de acordo com essa decisão. Cada zona introdutória tem pelo menos uma hora, por isso aqueles que quiserem explorar todas as origens antes de tomarem uma decisão poderão contar, logo aí, com seis horas de jogo. No entanto, independentemente da origem que se escolhe, o jogador acabará sempre por ingressar nos Grey Wardens.




Mas não é só isto que expande o universo de Dragon Age: Origins, visto que a BioWare trouxe de novo o conceito de escolhas e decisões morais. Em quase todos os longos diálogos e interacções que travamos com as outras personagens presentes no jogo existem várias opções de resposta e de comportamento. Isto dá-nos a hipótese de escolher se queremos ser honestos e simpáticos, ou se preferimos envergar pela agressividade verbal e pela arrogância. Note-se, ainda, que acções como mentir (lie) ou persuadir (persuade) vêm indicadas antes da resposta correspondente.




No que toca a gráficos, Dragon Age: Origins não desaponta. As personagens e os ambientes estão bem detalhados, dependendo, claro, das capacidades do PC de cada um. Os efeitos visuais também merecem destaque, como o sangue salpicado na cara das personagens ou alguns efeitos de luz e sombra nas suas armas e roupas, por exemplo. Por outro lado, o ambiente do jogo consegue passar aquilo a que se propõe, o de um mundo fantástico e antigo (e por vezes escuro e "pesado"), seja em florestas ou cidades, ou em zonas completamente demoníacas.
 
 


Em suma, Dragon Age: Origins apresenta-nos um mundo complexo e cativante, capaz de nos roubar muitas horas de sono. Não tem muitos aspectos negativos (sem ser a questão da voz principal, talvez alguns problemas gráficos ou de design), mas o jogo em si poderá revelar-se frustrante e, por vezes, difícil. Os seus longos diálogos e a sua narrativa extensa poderão tornar-se aborrecidos para jogadores que procurem uma ou duas horas rápidas de jogo depois do trabalho ou da escola. No entanto, para aqueles que gostam de boas histórias e de personagens com densidade psicológica, Dragon Age: Origins traz tudo isso e muito mais. Por tudo o que foi dito, Dragon Age: Origins merece ser reconhecido como um dos grandes títulos deste ano, dentro do campo dos RPG's e não só.






 
 

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